Não que a música não afete e não seja quase que inteiramente parte de minhas pessoalidades. Mas engraçado observar algumas mudanças em mim que claro, não se devem apenas ao Camboja, mas em boa parte sim.
- Nunca gostei de pimenta. Fraca demais, até lingüiça levemente apimentada, quando comia carne, me fazia ficar vermelha, lacrimejar, e podia acabar com meu paladar por toda uma refeição. Tinha de chupar limão pra ficar bem. Depois de uma semana no Camboja, virei a maior fã de comida apimentada. E não importa, pode colocar pedação de pimenta no meio, tô aguentando tudo. Tudo começou quando fui a um restaurante indonésio aqui, em minha segunda semana em Phnom Penh, e enfiei uma colherona com um molho vermelho na boca. Depois daquilo minha língua transcendeu o conceito de comida apimentada. Agora, quando como arroz frito ou macarrão ou qualquer outra comida Khmer de rua em que eles não ponham pimenta, por eu ser ocidental, eu peço que coloquem; comida cambojana sem pimenta não tem graça.
- Se pensar no apego que tinha com meu cabelo, anos atrás, quando batia na cintura e eu esperneava se o cabeleireiro cortava mais de dois dedos de pontas, acho que cheguei no ponto ideal, em que adoro ter um corte bom, curto, mas ao mesmo não tenho me importado demais. Como tem crescido muito rápido, assim que deu um mês desde meu último corte, não aguentando mais o peso que o cabelo crescido parece fazer no calor do sudeste asiático, fui numa farmácia, comprei uma tesoura horrorosa e, sem espelho para ver a parte de trás, cortei eu mesma meu cabelo na pia do banheiro em Siem Reap.
Realmente, é bem legal, não custa nada e sempre cresce de novo; cabelo cresce até depois de morto...
- Eu costumava ter muita dificuldade com barganha. Ficava sem jeito. Quando mais nova, acabava me submetendo a preços injustos. Depois, sem jeito, simplesmente deixava de ter algo que queria por achar o preço exorbitante.
Aqui dou boas risadas o tempo inteiro. Não existe transporte público no Camboja, se você vai a algum lugar, ou vai de tuk tuk ou de moto-táxi. Pego moto-táxi o tempo inteiro e, quando vou com o Chapei pra algum lugar longe, como a casa de Kong Nay, vou de tuk tuk. Os preços variam e eles sempre tentam cobrar um monte ao ver ocidentais, claro. Minha barganha tá tão boa que, no que eles cobram 1 dólar (4000 riéis), só pago 2500 riéis. É engraçado e extremamente útil, já que as refeições que mais faço aqui, em comida de rua, me custam entre 1000 e 3000 riéis.
- Aliás, eu que tinha andado de moto só uma vez na vida e tinha quase que medinho, após andar praticamente todos os dias de moto-táxi, agora há já um mês, estou decidida a tirar carta de moto e, assim que tiver dinheiro entrando pra compensar a minha quebra-pós-Camboja, comprar uma. Depois de se acostumar ao tráfego completamente insano de Phnom Penh não tem muito como temer andar de moto em Barrão Geraldo.
- Depois de assistir a muitas aulas de música Khmer, tocar Chapei horas a fio e ter aulas pacas, cantar qualquer música básica em tonalidade maior parece impossível. Acostumei tanto com o som da escala Khmer que só consigo cantar desafinadamente as músicas ocidentais. Ok, acho que essa mudança se deve inteiramente ao Camboja.
2 comentários:
Eu ainda sou péssima em barganha, impressionante. Me sinto realmente constrangida... É uma coisa que não faz parte da minha vida, simplesmente.
Como o Anthony Bourdain, acho que fui criada achando que, se o preço é caro, é porque a qualidade é boa.
Nunca fui pra lugares onde era super turistona, né, então nunca fui muito explorada - e esse traço permanece firme e forte, hahaha.
Queria ouvir esse desafino todo aí...! Aposto que é viadagem sua, hãn.
Saudade.
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