quarta-feira, 27 de abril de 2011

Memória de Jean Cocteau, de António Barahona

O amor está tão perto de ser ódio.
Não dispenso a cratera dos boémios,
onde se encontram místicos e génios
unidos ao distúrbio.

O ódio está tão perto do amor.
Não dispenso a cratera d'homens santos,
onde se encontram bons boémios bentos
bem unidos à dor.

Os extremos não se tocam: fundem-
-se até se tornarem num só traço,
muito cingido, em truculento abraço
d'infinita vertigem.

Dificuldade de ser: não mentir,
não escrever mais poemas, não falar;
apenas, ao de leve, expirar
e morrer a sorrir.

domingo, 24 de abril de 2011

Se subisse no cume do mundo, no topo, essas coisas,

sairia uma gargalhada seguida pelos gritos de que
poemas são brinquedos
e nunca gostei de Richard Wagner.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Eureka!

A guarda baixou em Siracusa.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Confessional da baronesa prometida ao duque lusófono

Aprazem-me tuas narrativas. Algumas apenas, é bem verdade.
A fluidez prosaica tua mântrica me acompanha ao
dia, à mente, num desenrolar de leitmotiv wagneriano
turvado por vezes ao ouvido nos cromatismos. Mas
faz-me delinear teu maxilar e teu nariz,
tão atraentes e hostis, finos, e
teu olhar soslaiado de quem quer por demais
ser algo que não esse meninão.

Traço-te a meu bel prazer, ciente deste absurdo.
Foram quatro as garrafas de Lambrusco
que me fizeram te sentir tão dentro e fundo.

Minhas fantasias são das coisas mais bonitas.

Fantaseio que sejas torto, que todo problemático,
com dificuldades do ego e ranzinzezes;
que me faças desgostosa e que assim
deixes-me inda mais desejosa.

Por fim que a mim pertença tua criptografia passional,
que deixaste-me ser teu objeto de dubiedade, estranheza,
de lascívia da cor da tua cidade.

Que estejas comigo a brincar
dando de comer aos nossos "quem é você".