Posso agora dizer tranquilamente, em alto e bom som, que não gosto de gente rica.
Detesto.
Detesto o discurso em cima do muro, detesto quem não machuca, resseca e/ou caleja mãos e quem tem subordinados que os façam, quem diz "me acusaram de trabalho escravo, que absurdo, eles ao menos têm onde dormir e mal trabalham, quer vida melhor?", detesto quem diz que se sente mal pela pobreza alheia mas não vê problema algum em seu acúmulo frenético e exorbitante de capital, detesto a cultura de se gastar, num dia, numa peça de roupa, o que muitos gastam num mês inteiro pra se alimentar.
Detesto a promessa de recompensa para toda uma vida se for um trabalhador. Detesto que seja tudo sombra imutável de iluministas, não importa quantos séculos se passem.
E esqueça as promessas. Não há ascensão social, há "surgimento de uma nova classe média" e há nouveaux riches.
Não é ódio entre classes, é repúdio à existência destas.
