terça-feira, 29 de junho de 2010

Pedaço de realidade e um sonho

Enquanto um casal de crianças adentrava cada vez mais fundo numa casa, do outro lado da realidade discípulos de Aleister Crowley, entidades e ele mesmo em forma etérea apareciam aos poucos, marcavam meu quarto com símbolos enquanto eu dormia, me olhavam e tentavam tenebrosa e disfarçadamente me ganhar.
O que dava medo é que parecia ser de fato inevitável, como se só faltasse o meu consentir comigo mesma, o aceitar, e deixar acontecer o que devesse.

Acordei com sensações estranhíssimas.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O que Orfeu não sabia

É que mesmo sem olhar para trás teria perdido Eurídice.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Da força da Imagem dum hexagrama com nove flutuante na quarta posição

Um lago evapora e, pouco a pouco, vai se esgotando. Mas quando dois lagos estão unidos, eles não secam tão facilmente, pois um alimenta o outro. O mesmo ocorre no campo do conhecimento. O saber deve ser uma força revigorante e vitalizadora. Isso só é possível quando há um intercâmbio estimulante com amigos afins, em cuja companhia se possa debater e procurar aplicar as verdades da vida. Desse modo, o conhecimento se amplia, incorporando múltiplas perspectivas, e se torna mais leve e jovial, enquanto que nos autodidatas tende a ser sempre um pouco pesado e unilateral.

Com freqüência o homem se encontra avaliando e julgando diferentes formas de prazer. Enquanto ainda não decidiu qual escolherá, se o mais elevado ou o mais vil, não terá paz em seu interior. Só quando ele reconhece claramente que paixão traz sofrimento é que poderá afastar-se dos prazeres inferiores e buscar os mais elevados. Uma vez consolidada essa decisão, ele encontra a verdadeira alegria e paz. O conflito interno é então superado.


Do I Ching

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Resumo da Ópera

A raposa sorriu quando reparou ser de idade - e não raposinha imprudente -, mandou o Minotauro pra putaqueopariu e saiu a atravessar a torrente, sem olhar pra trás e ignorando que a pontinha da sua cauda estivesse molhada.
Mandou pastar também aquela Ariadne-aranha, besta, besta, que deu do sangue pra fabricar teia orgânica e enrolar novelo, sendo AriadnearanhaDédalo tudo junto.

Não olhou pra trás e seguiu com passos medidos, firmes, calmos.

sábado, 19 de junho de 2010

Après une belle aventure

Il est toujours temps pour vivre une nouvelle.

domingo, 13 de junho de 2010

Comendo leões no covil de pedra

Literatura voltou, sim, mas como um universo todo engolindo outro, uma fagia descabida, expande coisa. Na loucura por restrições e delineamentos impôs-se um lipograma duro, duríssimo de roer. Depois foi-se mais uma vogal.

Mas ai, que canseira!, se malacostumar com coisa livre, bem livre, tem dessas.


(Lembro dos conselhos do titio Igor)

Mas ai, ai!, que não tô falando de estética, sim de vida.

Cansei de literatura constrangida na minha vida.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Nanossonho aminutado

Acatado, sim sinhô.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fragmentinho pequeno que nem ponto

Sorriu-me, de olhos pequenos e avermelhados de frio, dizendo "você deu um tiro no próprio pé".
Eu sorri não amarelo, mas sorriso santosha, olhando pra frente-chão.

Qual o quê - ahimsa não atira.

(De micro em micro o macro, uma coisa de cada vez)

Totalizaram três abraços fortes, longos e sinceros.

domingo, 6 de junho de 2010

Nick Bantock

Griffin,

you must be blessed. In Sicmon mythology, wandering warriors place themselves at the service of worthy travelers. They are reputed to keep Death from becoming greedy. (...)
The silent stones fill me with awe - they are sublimely sophisticated. The city's neon lights seem naive in comparison, like children's toys.
Take heart
Sabine

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Obliquidade

Como se sonhado flor balcânica bem vermelha, que colocada por detrás d'orelha (os cabelos inda curtos demais pra segurarem sozinhos a flor que tem em verdade cor betanina) fizesse tresloucar sordidezas (em fato amorais, aciganando-as) que resultariam na graça não culposa de violar um pequeno protonotário.

Mas é sonho literário, que em vida é mais simples, tenro, terno também, e pósmodernamente amoral sim, como não, já que não há como ignorar a liberdade de mentes middle-class artísticas.