Soada de bobéia. Cujice. Povo, quando fala, fantaseia.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Da saudade marcada no I Ching
Sophie,
Je t'offre ce petit cadeau qui, en plus d'être une oeuvre «philosophique», peut servir de compagnie pendant ces nuits de «lucidité vertigineuse» (comme disait Cioran) que tu connais très bien, ma chère insomniaque!
Ton ami F.
São Paulo, 30/10/08
domingo, 19 de dezembro de 2010
Termo de Responsabilidade
Mais nada
a dizer: só o vício
de roer os ossos
do ofício
já nenhum estandarte
à mão
enfim a tripa feita
coração
silêncio
por dentro sol de graça
o resto literatura
às traças!
José Paulo Paes
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
O Rato e a Comunidade
2
Passam meses e anos perto de nós,
Rodeiam-nos, sentam-se com a gente à mesa,
Comentam a guerra, os telegramas,
Discutem planos políticos e econômicos,
Promovem arbitrariamente a felicidade coletiva.
Conhecem nosso paletó, camisa e gravata,
Nosso sorriso e o gesto de mover o copo.
Têm medo de nos tocar, não conhecem nossas lágrimas.
?Que sabem do nosso coração, do nosso desespero, da nossa comunicabilidade.
Que sabem do centro da nossa pessoa, de que são participantes.
... Subúrbios longínquos, esses homens.
4
Desconhecido que atravessas a rua,
?Que há de comum entre mim e ti.
A mesma solidão e a mesma roupa.
Procuras consolo, mas não podes parar.
És o servo da máquina e do tempo.
Mal sabes teu nome, nem o que desejas neste mundo.
Procuras a comunidade de uma pessoa,
Mas não a encontras na massa-leviatã.
Procuras alguém que seja obscuro e mínimo,
Que possa de novo te apresentar a ti mesmo.
Murilo Mendes, em Poesia Liberdade
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Como se o parar, por um tempo, com aquelas tantas prosas laicas fizesse algo a valer, fizesse algo mudar.
Quando a prosa é pagã vira no repente enigma hermenêutico e sai dela, se deforma, vira poesia comprimida, vira criptografia e vira impublicável assim. Sacramentada.
Apesar da continuidade loquaz, virtuosa porquoi pas?, surge o prazer no entrecortado e da inteligibilidade referencial e secundária. Erudita e elitista, que cacete. Mas aprazível como pouca coisa, como se dessem à criança o controle laxativo durante a fase anal, o poder fisiológico como fonte de prazer.
Duro discernir a natureza do sacramento do comportamento passivo-agressivo; e se melhor seria tê-lo em mim, com uma poesia que se possa tragar, ou expurgá-lo numa linguagem hostil a quase todos os que se aventurarem.
Quando a prosa é pagã vira no repente enigma hermenêutico e sai dela, se deforma, vira poesia comprimida, vira criptografia e vira impublicável assim. Sacramentada.
Apesar da continuidade loquaz, virtuosa porquoi pas?, surge o prazer no entrecortado e da inteligibilidade referencial e secundária. Erudita e elitista, que cacete. Mas aprazível como pouca coisa, como se dessem à criança o controle laxativo durante a fase anal, o poder fisiológico como fonte de prazer.
Duro discernir a natureza do sacramento do comportamento passivo-agressivo; e se melhor seria tê-lo em mim, com uma poesia que se possa tragar, ou expurgá-lo numa linguagem hostil a quase todos os que se aventurarem.
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