Cansei de impessoalidades. Mas não no sentido sacocheio - cansaço mesmo, esgotada. Saudades de morar em São Paulo só pra ir sozinha ao cinema à noite, pegar metrô e ficar andando pela Paulista feito indigente e, eventualmente, conversar com estranhos.
Aqui a solitude tem outro caráter, outro odor e outra aura. Na Paulista dava pra compartilhá-la com os outros mil indigentes, se quisesse. Aqui, se saio pra passear com minha cachorra, tenho sorte se ela parte pro contato odorífero com algum outro cachorro na coleira e eu sorrio constrangida pro dono ou dona, que retribui. Às vezes aqui parece demais com aquela coisa meio Desperate Housewives, só que com umas repúblicas barulhentas pelo caminho.
A vontade de ter filhos a cada dia aumenta. Cara, que experiência incrível deve ser. Mesmo que nessa situação mundial ferrada em que nem se tem muita esperança por ares puros e a sustentabilidade é tardia e desesperada.
Vontade de apressar tudo, de não seguir a filosofia do agora, do desapego ao passado, que já passou, e ao futuro, que ainda não existe. Uma ansiedade do caramba pra que alguns meses passem e eu me mande, e me veja estudando aquela música lindíssima num país que ainda tem minas terrestres perdidas, monarquia constitucional e uma cultura ameaçada de extinção. E elefantes, que criaturas fantásticas. Eu vou, Marília, vou sim. Sem dúvida alguma! O que me impede de ir já é só o ano letivo.
Aqui a solitude tem outro caráter, outro odor e outra aura. Na Paulista dava pra compartilhá-la com os outros mil indigentes, se quisesse. Aqui, se saio pra passear com minha cachorra, tenho sorte se ela parte pro contato odorífero com algum outro cachorro na coleira e eu sorrio constrangida pro dono ou dona, que retribui. Às vezes aqui parece demais com aquela coisa meio Desperate Housewives, só que com umas repúblicas barulhentas pelo caminho.
A vontade de ter filhos a cada dia aumenta. Cara, que experiência incrível deve ser. Mesmo que nessa situação mundial ferrada em que nem se tem muita esperança por ares puros e a sustentabilidade é tardia e desesperada.
Vontade de apressar tudo, de não seguir a filosofia do agora, do desapego ao passado, que já passou, e ao futuro, que ainda não existe. Uma ansiedade do caramba pra que alguns meses passem e eu me mande, e me veja estudando aquela música lindíssima num país que ainda tem minas terrestres perdidas, monarquia constitucional e uma cultura ameaçada de extinção. E elefantes, que criaturas fantásticas. Eu vou, Marília, vou sim. Sem dúvida alguma! O que me impede de ir já é só o ano letivo.
4 comentários:
É, solidão estilo barão geraldo é foda. Por isso, principalmente, eu quero me mudar pra capital assim que der (dará ano que vem, se tudo der certo, a bolsa aumentar como deve aumentar e eu achar um apartamento).
Eu acho que isso tem principalmente a ver com densidade populacional: aqui, por ser cheio dessas casinhas iguais sem-graça é tudo muito longe, tudo muito sem-vida. Se você tem uma pessoa a cada 100 m² de chão é difícil se bater com outra, mesmo. EU me pergunto se no centro de campinas é melhor; deve ser, mas ainda não deve justificar o esforço. E tem o problema de que eu não quero mesmo morar numa cidade que tem mais cinemas 3d que salas de cinema de arte.
(você já tentou usar a casa do lago como cinema? infelizmente o som lá é ruim, e ainda não funcionou pra mim nas vezes que fui as minhas tentativas de fazer aquilo levar a algo; sempre acabei com um buraco no dia sem nexo com o que veio antes ou com o que veio depois)
Ontem saí com Iara (minha namorada) pra andar por aí e procurar algo pra fazer, estávamos cansados de ficar em casa. Não adiantou, fomos no supermercado e voltamos. Isso nunca teria acontecido em salvador, nem aconteceria em são paulo. Barão geraldo é um deserto suburbano que me incomoda demais (eu não gosto de estar separado por estradas de todos os outros lugares próximos, por exemplo), e eu consigo ver professoras e/ou mulheres de professor da unicamp vivendo vidinhas desperate housewives (e como tem uma nobreza esquisita do café aqui até que dá pra imaginar uma Bree van der Camp).
Boa sorte do camboja, quando você for.
Pois é, nem me fale. Não nos esqueçamos que a Sandy mora aqui, né?
Só como exemplo.
Mas, ao mesmo tempo, fico feliz de não estar na megalópole. Apesar desses pesares, o estilo de vida lá é tipo comer freqüentemente no bandejão - tira uns anos da tua vida lá na frente.
É, eu não sei. Nas vezes que vou pra lá passar alguns dias passeando ou algo assim (e, sim, eu sei, passear nunca é exemplo de nada) é sempre relaxante.
Minha namorada brinca que ela gosta "do ar, das árvores, das cores, da calma" de são paulo, e eu sinto uma coisa parecida. Aqui eu acabo ficando muito mais tenso; uma ida ao mercado na hora errada ou um passeio na padaria podem significar na melhor das hipóteses uma viagem solitária e esquisita e na pior das hipóteses um encontro com um cachorro ou um assaltante.
Mas eu nunca morei lá, então não posso falar nada.
Pois eu acho fantástico morar num lugar onde NADA fecha. Ontem eu voltei pra casa do bar às quatro da manhã e arua estava simplesmente CHEIA de gente ainda... Delícia. Encontrei meu irmão no caminho. Acho que São Paulo é na verdade muito mais humana do que parece. Sempre vejo reencontros no meio da faixa de pedestre, pessoas ajudando alguém que precisa atravessar a rua ou subir uma escada...
É quase uma solidariedade da solidão.
É bonito.
Sem contar que temos a Liberdade e a Rua Augusta. Eu acho o máximo um lugar onde vc tem uma academia 24hs, ao lado uma sorveteria 24hs, ao lado um puteiro 24hs e o lado a balada com a melhor música da cidade, quiçá da América Latina! :)
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