sábado, 21 de abril de 2012

Entre outros sintomas da vida adulta, aquele em que há anos datas mudaram de caráter. Já não muito boa com elas antes do adultismo, as divisões permanecem lunares pela hemorragia mensal e recebem grifos, detalhes e umas belas dores de cabeça pelo aluguel, luz e outras coisas. Trabalho autônomo faz alguns feriados passarem em branco e sábados são quintas e domingos só os são pelo toque de recolher. Esperando compreensão dos mais sensíveis aos esquecimentos de aniversários e etc. E dias e datas especiais também.
Qualquer área que me guste ou que me apareça me faz manter a desilusão com tudo. Jimmie Durham, uma amiga bióloga canadense e um filme de 1975 me fizeram pensar muito nos últimos anos, como nunca havia de fato dispendido tempo para fazer, com "a questão indígena". E essa arrogância ocidental em dar nomes às crises e aos problemas desse jeito, quando a questão é apenas a preocupação tardia e minoritária com reminiscentes de uma cultura devastada, estuprada, escravizada e atualmente no limbo e no alcoolismo em muitos países. O filme revisto no domingo fez-me sonhar com uma situação de rebelião indígena violenta e remoída, mais que reivindicação territorial protestavam com vingança tudo o que o homem branco europeu os fez. Ninguém pensava em lutar de volta, apenas tentavam fugir com culpa.
Acordei, passei o dia como os outros sem perceber a data. Ligam mais tarde, dia 20, aniversário do teu irmão, não esqueça, e só então me dou conta de que este sonho se deu ao fim do dia do índio, 19 de abril.

Nada como pescar culpa no inconsciente coletivo.

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