sábado, 21 de janeiro de 2012

Sampa

Agora passa um carro e uma menina se esganiça "chuuupa" a deselegância indiscreta da desafinada e quebra brusca que no "uuu" a voz não sabia pra onde ia, berra sem apoio. Passava de carro, ouvi em crescendo e decrescendo mas
não tem nada a ver, o yodelling involuntário que me distraiu. Eu queria falar da crueza como resistência, falar que a Carta Capital teve boas reportagens agora, falar também que eu sinto um baita orgulho em não fazer as coisas com requinte que a riqueza dá.
Democracia já me parece uma grande palhaçada e argumentos tortos de que "sou nazista fascista ista ista então me deixa usufruir da liberdade de expressão e falar que eu odeio pobre que eu odeio o Lula que eu odeio gay que eu odeio que o país cresce mas eu não" e todos os outros. Eu gosto de pensar que é problema psicanalítico, só. Tem craqueiro e cracolândia, o paraíso da depressão e dos desesperados, tem Jardins e tem Guedala, paraíso dos filhos duma puta, dinheiro e comer prostituta de luxo e estagiárias e secretárias da empresa, não divorciar porque pensão é mais chata que a mulher e não é bom dar escândalo.
Craqueiro é sujeira é vergonha, é ponto preto na cidade e no projeto de lucro Luz do prefeito, melhor mandar pro interior, tá feio ô seu governador, o prefeito limpou a cidade da poluição visual agora o senhor deveria limpar a poluição humana.
Que pra estudante sem-teto craqueiro é só PM. Liberdade e empatia é o caralho que não gosto de vagabundo eu pago imposto e quero aposentar mas até lá que idosos que se fodam.

Queria falar um monte de coisa mas a mentalidade reacionária desse estado paulista ista me entala na garganta dói nas têmporas é antissináptica.

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