quarta-feira, 13 de julho de 2011

Transcrição II

Ainda não entendo o que se passou. Eu confusa e de guarda baixa - na marra - após um dia esquisitíssimo. Confundiu-me seu jeito demasiadamente assertivo, agressivo, com contrastes de cuidado e algum interesse bizarro.
Faz sentido a preguiça que ele sentia de tudo o que me era importante naquele momento - e é ainda - e que a tecnologia não tivesse nunca me estimulado em tanto, mas inegável a tensão que se travou nisto tudo.
Nas cobertas do quarto de hóspedes, na cama que ele arrumou para mim. Este gesto já me foi estranho, pois sua asserção toda e sua atitude - programadora e agressiva - me fariam pensar que o não arrumar da cama seria estratégia indutiva. Eu passava frio e estava com a mesma roupa há muitas horas. Esperei que saísse do banho e, quando passou pela porta aberta, pedi uma camiseta de manga longa. Buscou e me entregou uma, inda de toalha, e parou à porta. Agradeci, um alguinho envergonhada, coloquei por cima da roupa. A camiseta era da altura de minha saia e afirmei que "você não vê problema, né?" emendando no abaixar dela.
Ele parado, à porta, de toalha, apenas olhando. Olhando.
Agradeci mais vezes, me enfiei debaixo das cobertas, ele deu boa noite e encostou a porta. Não entendi este dia, não o entendi, como me derrubou e não reclamou prêmio. Tampouco entendi seu olhar, de toalha, a me fitar e fitar apenas.

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