segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Joel tinha me dito isso. Músico é intuitivo demais em seu ofício. "Você é bastante analítica, acho que literatura tem muito a ver mesmo".
Joel é psiquiatra, psicanalista junguiano e violinista - era de orquestra e largou, ele também não gostava do ambiente de mão-de-obra musical.
Meu problema com o Joel é que, fascinada pelo mundo junguiano e me sentindo tão identificada, perguntava muito sobre ele. Sobre técnicas de psicanálise. Discutimos a importância de minhas xilogravuras para a sessão mas não lhe mostrei nada delas. Disse que eu anotasse sonhos, e eu o fiz - sem nunca mostrá-lo. Ele me contou da caixa de areia e eu saquei que o lance da narrativa tinha muito a ver com sonhos, com o consciente bem presente. Nunca fiz caixa de areia.
Enquanto ele falava, vi as miniaturas. Eu montei sozinha e em mente minha caixa, com a escolha das miniaturas pelo olhar e essa sessão me fez pensar por muitos meses. E me fez manipular muita coisa interna. Foi importante.
Quis o Joel como mestre, não como terapeuta ou analista. Queria que ele me falasse sobre Jung e Freud, que me emprestasse livros. Por ele ser músico não sentia peso nem necessidade de falar sobre música. Ela é meu artifício idiota com quem não é artista. Quis crer que Joel era eu, a intuição e a análise - versus? conjunto?
Nunca paguei Joel pelas duas únicas sessões, estou inadimplente. Pagá-lo-ei, porém não sei se a ele consigo voltar. Minhas projeções assustam e me desfocam.

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